terça-feira, 27 de abril de 2010

Participação no fórum - divergências na terminologia

Sou professora do 2º ciclo, no entanto, não deixo de me espantar e preocupar com o que foi apresentado pelas colegas. Realmente parece-me contraproducente as ciências e as letras, num momento em que seria expectável uma convergência na terminologia e no espírito dos programas das diferentes áreas académicas, assistirem à criação de um fosso tão expressivo. Parece-me que a articulação horizontal que tanto nos é solicitada não foi tida em conta pelos responsáveis pela elaboração dos novos programas de Português e Matemática, que ironia esta!
Depois de ler os comentários das colegas, folheei o programa de Matemática e a verdade é que as diferenças são notórias e a vida dos professores do 1º ciclo em particular e de todos nós em geral fica mais confusa e dificultada. O espírito dos dois programas é de facto divergente, embora me tenha sentido reconfortada ao perceber que alguns dos pressupostos tidos em conta na formulação do texto programático de Matemática se aproximam do veiculado nos programas de Português, a saber:
- Tentativa de articulação entre os diversos ciclos (na Matemática é visível uma maior relevo a uma articulação com o ciclo anterior);
- Não se trata de um programa de ruptura, procedendo-se apenas ao aperfeiçoamento do anterior, atendendo às novas exigências da sociedade actual;
- Organização programática por ciclo e não por ano;
- Intenção de criar competências para mobilizar os conhecimentos para outras áreas do saber e para a vida em sociedade;
- Necessidade de dotar os alunos de aprendizagens significativas;
- Vê consagrado o princípio da progressão;
- Necessidade de recorrer a metodologias, estratégias e actividades diversificadas e variadas;
- Necessidade de apresentar actividades com pressupostos e resultados claros e bem definidos;
- Valorização da partilha, da reflexão, da discussão e integração em contexto de sala de aula;
- Valorização do papel do professor;
- Valorização do contexto social, geográfico, escolar e académico dos alunos para a definição da articulação vertical.
Bem, espero com estas palavrinhas ter apaziguado a alma daqueles que têm a sua vida dificultada com o desfasamento visível entre os dois programas.
Continuação de um bom trabalho e esperança de dias melhores.

Trabalho realizado por Sandra Patrícia Pereira      24/Abril/2010

domingo, 18 de abril de 2010

Reflexão sobre o terceiro módulo de formação

"Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o Céu, enquanto que as espigas cheias a baixam para a terra."
                                                                                                                                          Leonardo da Vinci

 Janeiro chegou pé ante pé e as dúvidas e expectativas começaram a espreitar timidamente. A vontade de aprender era imensa! Esperava um encontro repleto de discussão, reflexão, opinião, partilha; ingredientes para ajudarem a trabalhar o diamante em bruto que é esta aprendizagem de novas práticas, esta tentativa de questionar as nossas certezas, de nos distanciarmos de nós, de nos reorganizarmos, de crescermos…
As sessões sucedem-se e, cada vez mais, a expressão de Socrates “só sei que nada sei” ganha sentido. Sinto que, à medida que vou adquirindo conhecimentos, a dúvida ganha corpo e avoluma-se. Tantas são as crenças que caem por terra e as ideias que paulatinamente vão reclamando o seu espaço. Que ano este! Que turbilhão de sentimentos e pensamentos! O terceiro módulo de formação não seria excepção e, mais uma vez, chegou o momento de reflectir sobre o legado que nos foi deixado, o presente que construímos e o futuro que preparamos.
A LEITURA…! Que vontade de conhecer mais, de fazer melhor por um prazer que nos permite soltar as amarras e ver para lá do horizonte; que promove o contacto com o mundo, com o longe e o perto, com o novo e o antigo… que nos proporciona o acesso às mundividências e às mundivivências. Assim, o meu gosto pela literatura, por toda uma herança cultural que nos foi deixada nos livros, fazia fervilhar a minha curiosidade! E a vaidade, o orgulho e a satisfação que senti em saber que este programa nos vê como gestores de aprendizagens; nos liberta do óbvio; nos prenda com a possibilidade de perceber os nossos alunos, os seus gostos, os seus interesses, as suas carências; nos permite desformatar as leituras; nos instiga a sermos nós ao serviço dos nossos “pupilos”; nos permite operacionalizar em contexto, articulando, magistralmente, Projecto Educativo de Escola, Projecto Curricular de Escola e Projecto Curricular de Turma.
Dotar a leitura de pertinência, de funcionalidade, de significação, propicia o nascimento do prazer de ler, do gosto por saber e a necessidade de conhecer. Grande é mais esta responsabilidade, esta necessidade de fazer emergir a vontade de ler, ensinar a ler e manter o gosto voluntário de ler. Na minha opinião é esta mesmo a ordem… antes de saber ler é fundamental ensinar a gostar de ouvir ler; é crucial “viciar” a criança, fazer com que sinta a falta da “historinha”; é primordial espicaçar a curiosidade e fazer despertar a vontade de aprender “as letrinhas” para poder ler sozinha. Como tal, o papel dos pais é capital nesta fase de reconhecimento e valorização da leitura. Reside nisto, parece-me, uma das grandes fragilidades com que temos que nos deparar, uma vez que muitas das famílias, umas por negligência outras por desconhecimento, não acompanham convenientemente os seus filhos, não os ensinam a viver com os livros, não lhes possibilitam o acesso rápido e eficaz aos materiais escritos. Quantos dos meus alunos referem que os únicos livros que possuem são precisamente os manuais escolares? Atendendo a esta situação e à necessidade de mudar mentalidades e de criar hábitos desde cedo, delineei, juntamente com outra docente do meu departamento, uma actividade de sensibilização dos pais para a importância da leitura e do livro. Será dinamizada no final do ano lectivo e contará com a presença dos encarregados de educação das nossas turmas que, por um lado, assistirão a uma pequena apresentação do Plano Nacional de Leitura e das propostas que o mesmo apresenta para os pais e a uma breve palestra sobre a pertinência desta competência para o sucesso nas restantes áreas do saber. De seguida serão prendados com algumas leituras dramatizadas, declamações musicadas de pequenos textos, entre outros; sendo que os pais também aceitaram apresentar uma pequena peça de teatro para os filhos; pretendem surpreendê-los e mostrar-lhes que, também para eles, a literatura é uma forma de evasão, de expressão. A ver vamos como corre! Após uma breve exploração do Guião de Implementação do Programa – Leitura verifiquei, com apreço, que iniciativas deste cariz estão perfeitamente legitimadas e enquadradas nas orientações veiculadas pelo novo programa (GIP - Leitura, págs. 39 e 40). A mediação não pode ser no entanto relegada apenas para os elementos que se movimentam no seio familiar. Cada vez mais a união de esforços, o trabalho colaborativo entre a escola e a família deve ser uma realidade pela qual os professores se devem debater.
Ao professor cabe então a tarefa de ensinar, mediar e arbitrar grande parte do contacto com os livros e com a leitura. Uma cultura literária refinada do professor, influencia e determina a cultura literária do aluno. De que vale termos alunos criativos, se não têm cultura? Como refere Joseph Joubert “Quem tem imaginação, mas não tem cultura, possui asas, mas não tem pés.” Logo, estas duas premissas devem aparecer conjugadas sob pena de não trabalharmos para a excelência, para o cidadão completo. O contexto em que o aluno se insere, e que pode ser perfeitamente moldado pelas vivências e práticas escolares, constituirá sempre um dos factores a ter em conta no processo de interacção do leitor com o livro. Cabe ao professor criar experiências de aprendizagem, significativas, desafiadoras e diversificadas, motivando os alunos e conduzindo-os a patamares de maior complexidade e, consequentemente, à eficácia leitora. Ao conviver com uma grande variedade de textos escritos, os alunos interiorizarão múltiplas estruturas textuais, alargando a sua competência discursiva e textual quer do ponto de vista da compreensão como da produção, contudo o texto literário, na sua condição de legado de um vasto património histórico e cultural, nunca deve perder a centralidade na aula de português.
Parece-me que, atendendo aos resultados do estudo PISA, a diversidade textual ainda não está consagrada nas nossas práticas. É notória a tendência que temos para trabalhar textos narrativos, relegando para segundo plano as abordagens aos textos informativos, instrucionais e dramáticos. Confesso que eu própria me revejo em todos que assim têm procedido. Nas minhas aulas nunca deixei de trabalhar várias tipologias textuais, no entanto, o narrativo sempre foi rei. Se trabalho? Claro! Se o faço sempre bem? Nem pensar… Com este aprendizado tantos são os vícios que vou detectando, tantas são as arestas que vou limando! A partir da reflexão e partilha, este momento da minha carreira tem sido acompanhado de algumas dissoluções e novas integrações.
As experiências têm-se sucedido e os alunos têm correspondido de forma muito positiva. A crescente tomada de consciência do papel da leitura na relação com o outro e com o mundo tem revelado que os alunos não são avessos à leitura, consideram-na, por vezes, um processo complexo que, se não for alvo de múltiplas abordagens, se poderá postular como muito penoso. Não mais poderemos pautar a nossa actuação pelo óbvio, pelo convencional, cada vez mais o professor deverá desenvolver a sua criatividade de modo a motivar os alunos, a implicá-los na construção de sentidos e na complexificação do diálogo com as leituras até então realizadas e no alargamento a novas exigências, de modo a aumentar a sua proficiência enquanto leitor crítico.
Verifico que, também na Leitura, o programa não reivindica uma ruptura com os anteriores documentos que norteavam a prática docente, trata-se de um texto de continuidade em que a tónica não está na mudança de actuação, mas sim no reforço do muito que já se faz bem, mas que ainda aparece timidamente nas aulas. O Guião de Implementação do Programa – Leitura é uma mais-valia, uma vez que nos permite delinear actividades e estratégias condizentes com o que figura no texto programático e com o que poderá vir a conduzir os alunos ao sucesso. Duas das tarefas propostas no documento citado despertaram a minha curiosidade imediata, tendo sido implementadas nas minhas turmas de sexto ano, a saber: Roda dos Livros e Círculos de Leitura. As mesmas foram ajustadas à individualidade dos meus alunos, à sua realidade e ao contexto em que se inserem. A Roda dos Livros é uma actividade dinamizada no final de todas as aulas e adoptou o nome de “As escolhas de…”. Para cada aula, um aluno fica incumbido de apresentar uma leitura que lhe agrade: um livro, uma revista, uma proposta sua para o resto da turma. Esta actividade tem sido bastante interessante, uma vez que ninguém melhor do que as crianças para saber o que elas gostam de ler, o que lhes desperta a curiosidade, o que lhes aguça a vontade de ir mais além. Por seu lado, quem apresenta gosta de fazer um brilharete e mostrar a sua mestria na arte de apresentar, gosta de se sentir admirado e reconhecido pelas suas escolhas e pelo seu pendor enigmático e misterioso no momento de cativar a atenção da turma. O Círculo de Leitura foi implementado uma única vez, no entanto foi bastante profícuo. Permitiu atender às características de cada aluno, às suas preferências e ao seu patamar de desenvolvimento, assim como fomentou o espírito de equipa, interajuda e criatividade. Os alunos apropriaram-se da actividade, sentiram-na como sua, propuseram novos papéis. Será sempre uma proposta a repetir, quer pelo valor formativo que lhe reconheço, quer pela motivação e entrega que os alunos manifestaram ao dinamizá-la.
A apresentação de modalidades e processos de leitura diversificados é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento do gosto e da eficácia na leitura, sendo que a biblioteca escolar pode ser de um valor acrescido para a formação de leitores proficientes. Como tal, este tem que ser um espaço dinâmico e vivo em que os alunos sejam chamados a intervir, a fazer, a criar, a partilhar, a reflectir, a mobilizar… É aqui que se encontra uma variedade de recursos que devem ser utilizados em contexto de leitura, quer em actividades orientadas quer em leitura livre e recreativa. Inequivocamente, postula-se como o local de referência em que a leitura se cruza e se fortalece com o recurso às novas tecnologias, às recentes possibilidades que o progresso nos ofereceu e que permitem que o nosso pequeno “mundo” perca fronteiras e desconheça limites, globalizando o conhecimento e a cultura. No Egipto, as bibliotecas eram chamadas ''Tesouro dos remédios da alma''. De facto é nelas que "se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras", como referiu Jacques Bossuet. Também na biblioteca a variedade, a diversidade e a qualidade são palavras de ordem. Penso na biblioteca da minha escola e imagino o longo caminho a percorrer para a equiparmos com sucesso. Para tal, é de reconhecer a pertinência da associação ao Plano Nacional de Leitura e a criação do Plano Regional de Leitura. Estas parcerias serão cruciais, dada a qualidade das actividades propostas, assim como a observância dos critérios a ter em conta para a selecção do corpus textual preconizado pelo Novo Programa de Português e que já se encontra consagrado na selecção das obras que integram estes dois planos. A possibilidade de recorrer a livros digitais é também uma mais-valia para poder confirmar a diversidade e a pluralidade de materiais escritos de qualidade elevada. Espero que possamos trabalhar e que consigamos resultados que nos deixem orgulhosos dos nossos alunos e, consequentemente, de nós.
 Gostaria de terminar a reflexão sobre a competência da leitura com uma afirmação de François Fénelon que parece resumir o meu sentimento “Se em troca do meu amor à leitura me dessem todos os tronos da terra, recusaria sem vacilar”.


Terminados os trabalhos sobre a leitura, passou-se à familiarização e à criação de sequências didácticas. Parece-me que o tempo destinado a este momento da formação foi escasso, uma vez que não permitiu o tratamento mais profundo de um documento revestido de tanta importância no seio do novo programa e que nos permitirá planificar e uma forma mais precisa e concreta. Muitas são as dúvidas que ainda persistem e espero poder esclarecê-las no próximo módulo. Não me parece profícuo deixar pontas soltas no processo que nos permitirá atingir uma menor dispersão, que nos possibilitará trabalhar as competências em articulação, consagrando-lhes um espaço próprio, ora focando uma ora focando outra, num registo de complexificação e progressão. A competência foco, definida pelo produto final, será auxiliada pelas competências associadas que permitirão um trabalho sistematizado e proficiente. Abandonando o ensino centrado nos conteúdos, enaltecendo os descritores de desempenho e o saber-fazer, necessitamos de ver cada sequência como o ponto de partida para uma outra de modo a seguirmos uma lógica assente em patamares de desenvolvimento em que mais importante do que aquilo que pretendemos ensinar é aquilo que queremos que o aluno seja capaz de fazer. Tal como a leitura se alimenta de outras leituras, também as sequências se alimentarão de outras sequências e o nosso cansaço se alimentará dos resultados atingidos. Não será fácil mudar mentalidades, contudo acredito que o facto da minha formação enquanto professora preconizar o ensino pelas competências me permita olhar em frente e facilite a aceitação das mudanças que também ajudarei a vingar. A minha curiosidade tem-me levado a pensar em várias sequências e a experimentá-las com os meus alunos. Algumas delas têm sido bastante pertinentes e revestidas de funcionalidade, noutras, porém, verificou-se alguma falta de sustentabilidade e eficácia. Tenho reflectido e preocupa-me esta minha limitação, uma vez que o novo programa não se compadece com redundâncias; continuarei, assim, a perseguir uma prática que postule a pertinência e a funcionalidade na organização dos documentos de planificação e, consequentemente, na execução e avaliação das actividades delineadas.
Muitas inquietações nos esperam, muito trabalho nos aguarda, no entanto, acredito que o segredo consiste em compreender que o tempo dedicado ao trabalho nunca é perdido, mas sim rentabilizado em prol da evolução e de progressos capazes de nos fazer reavaliar e reformular as nossas práticas.

Trabalho realizado por Sandra Patrícia Pereira  16/Abril/2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

Replicação IV - Material

Materiais preparados, pelas formandas, para o acompanhamento na escola, tendo em vista a replicação do módulo IV.


Plano de trabalho

Anualização: powerpoint

Trabalhos realizados por Sandra Patrícia Pereira e Noélia Machado   20/Março/2010

(baseados no material disponibilizado pelos formadores)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Trabalho de grupo: proposta de uma sequência didáctica

No decorrer do terceiro módulo de formação foi-nos pedido que elaborássemos uma proposta de sequência didáctica, atendendo a três possiveis produtos finais (carta, entrevista, dramatização). Considerando que o texto dramático tinha, até então, pouca expressão nas nossas aulas, optámos por pensar uma sequência para a dramatização de um excerto da obra Ulisses.

Proposta de sequência didáctica

Trabalho realizado por Sandra Patrícia Pereira e Susana Silveira   29/Janeiro/2010

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Replicação III - Materiais

Materiais produzidos para o acompanhamento na Replicação III


Plano de trabalho
Mais um powerpoint sobre as competências Compreensão do Oral e Expressão Oral
Lenda "Estrela de Água"
Grelha de planificação

Trabalhos realizados por Sandra Patrícia Pereira e Noélia Machado 19/Fevereiro/2010

(baseados no material disponibilizado pelos formadores)

Reflexão sobre as sessões de replicação I e II

Na Escola Básica e Secundária das Lajes do Pico iniciámos as sessões de replicação no dia 14 de Janeiro, sendo que o acompanhamento estava já a ser feito a partir da criação de uma disciplina na plataforma moddle que nos permitiu divulgar algum material (programa) ou endereços úteis (DGIDC, PNL, DT) a quem estivesse interessado. Planificámos convenientemente a reunião, estabelecendo os objectivos previstos, a metodologia a adoptar, os recursos a utilizar e o plano de trabalho a seguir.
Atendendo às directrizes dadas e à filosofia subjacente ao texto programático, decidimos que as sessões de replicação seriam ministradas para os três ciclos em simultâneo, permitindo que, tal como nós, os presentes fossem capazes de experimentar as benesses de conhecer o ensino básico como um todo em que o contínuo e a progressão são palavras de ordem, como já o são no programa vigente. Mas quem teve preparação aquando da implementação desse programa? Ninguém. Quanto lutámos por ela? Muito. E não é que fomos ouvidos!
Assim, temos a nosso cargo trinta e cinco docentes ansiosos, receosos, na expectativa e com vontade de saber mais. Gostaríamos de referir o interesse de uma professora do Núcleo de Educação Especial que nos abordou no sentido de poder participar nestas reuniões, visto dar apoio, dentro da sala de aula, a alunos que irão ser alvo deste programa.
Começámos por aguçar o apetite ao fazer um enquadramento teórico, debruçando-nos sobre a contextualização, fundamentos, conceitos-chave, organização e potencialidade do novo Programa de Português para o Ensino Básico. Os colegas mostraram-se interessados e interventivos, tentando clarificar algumas dúvidas e expondo alguns receios. Passámos, então, à segunda parte da sessão onde considerámos pertinente fazer uma “viagem” mesmo que rápida, por todas as competências. Foi nosso objectivo que os presentes ficassem com uma ideia geral do que o programa nos pedia e do que seria de esperar deste professor gestor de aprendizagens. Os resultados esperados foram o aspecto que mais alarido causou. “Isto é para o segundo ciclo? Como eu gostava que os meus alunos do secundário soubessem fazer isso…” foi dos comentários mais ouvidos. Deparámos com uma resistência inicial, com aquele sentimento de que o nosso trabalho está a ser posto em causa, mas paulatinamente, começámos a perceber que o interesse ia crescendo e que se trocavam ideias sobre estratégias para operacionalizar o programa. Mantivemos, contudo, um resistente, um descrente no sistema, em suma, alguém que vai exigir mais do nós!
Bastante informação numa intervenção mais teórica em que quisemos “dar a conhecer”, mas também aferir as opiniões dos intervenientes. Contudo, atendendo a que só se aprende a fazer, fazendo, agendámos nova reunião para a semana seguinte e, desta vez, para arregaçar a mangas e pôr mãos ao trabalho. Claro que tínhamos, antes até da primeira sessão, pedido para que todos lessem o programa, no entanto, assoberbados de trabalho, a maior parte nem sequer tinha olhado mais de duas vezes para ele… Já estávamos à espera disso! Como tal, preparámos um trabalho prático para este momento do acompanhamento. Dividimos os grupos de modo a ter docentes de todos os ciclos e munimos cada grupo de 3 guiões de análise do programa. Consideramos interessante que houvesse questões diferentes para os grupos e, deste modo, elaboramos duas hipóteses para cada ciclo. Como tal, foi possível abarcar um maior número de questões e as apresentações foram mais interessantes e profícuas. Foi notório o empenho e entusiasmo com que a actividade foi encarada. Queríamos dar por terminada a sessão, mas os presentes continuavam a trabalhar com afinco. Foi “prazeiroso” assistir e confesso que não estava à espera que tal acontecesse, especialmente, no final de um dia de trabalho. Até o mais descrente dos colegas nos abordou já com outras ideias… Alguns dos presentes, referiram que se não tivéssemos proposto tal actividade só iriam ler rigorosamente o programa quando tivesse mesmo que ser (aquando da sua implementação) e que só iriam consultar o que se referia ao seu ciclo, mesmo sabendo que contrariariam o espírito do documento. Sentiam-se, assim, satisfeitos por já conhecerem um pouco daquilo que o futuro lhes reserva. Só por isto já foi bom!
Tendo por base a metodologia que estamos a utilizar: exposição (teórica, partilha de práticas, opiniões) - trabalho prático – conclusões, foi-nos possível aferir que as solicitações ou dúvidas que os colegas colocaram se prendiam essencialmente com:
- a dificuldade em ajustar o programa aos diferentes contextos onde se irá desenvolver a implementação do mesmo;
- a dificuldade na correcta distribuição dos conteúdos de modo a valorizar a progressão;
- o facto da operacionalização do CEL dificultada pela extensão dos conteúdos e a exigência dos resultados esperados;
- a dificuldade de implementar o programa em turmas do primeiro ciclo com mais do que um nível de ensino;
- a importância de participarem nestas reuniões os educadores de infância, uma vez que estão na base de todo o processo de ensino-aprendizagem.

Balanço geral: Foram duas sessões trabalhosas e desgastantes em termos emocionais, mas com resultados acima do previsto. Consideramos que a equipa de trabalho tem funcionado bem, havendo um entendimento total no delineamento das sessões e no momento da replicação. Em termos pessoais, sentimos dificuldade em transmitir tudo o que “bebemos” das sessões presenciais com os formadores. Adaptamos, estabelecendo prioridades, contudo, parece que queremos dizer sempre mais qualquer coisinha…

Obs.: Os materiais elaborados e todos os trabalhos realizados pelos professores que estão a ser alvo da replicação poderão ser consultados neste portefólio.


Trabalhos realizados por Sandra Patrícia Pereira e Noélia Machado 20/Fevereiro/2010

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Trabalhos sobre organização programática realizados pelos professores que frequentam a replicação

 Estes trabalhos foram realizados pelos colegas que estão a receber a replicação com base nos guiões que lhes foram apresentados e que constam nos materiais elaborados para sessão de replicação II.

Grupo I 
Grupo II 
Grupo III
Grupo IV 
Grupo V1
Grupo V2 
Grupo V3 
Grupo VI

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Replicação II - Materiais

Materiais preparados, pelas formandas, para o acompanhamento na escola, tendo em vista a replicação do módulo II.


Plano de trabalho
Grupos
Guião de análise 1º Ciclo (a)
Guião de análise 1º Ciclo (b)
Guião de análise 2º Ciclo (a)
Guião de análise 2º Ciclo (b)
Guião de análise 3º Ciclo

Trabalhos realizados por Sandra Patrícia Pereira e Noélia Machado 16/Janeiro/2010

(baseados no material disponibilizado pelos formadores)

Replicação I - Materiais

Materiais preparados, pelas formandas, para o acompanhamento na escola, tendo em vista a replicação do módulo I.


Acta nº1
Plano de trabalho
Contextualização do NPPEB
Leitura
Compreensão do Oral e Expressão Oral
Escrita
Conhecimento Explícito da Língua

Trabalhos realizados por Sandra Patrícia Pereira e Noélia Machado 05/Janeiro/2010

(baseados no material disponibilizado pelos formadores)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Reflexão sobre o 2º módulo de formação

                                                 "Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
                                                                                                                                        Fernando Pessoa

 Com as diversas pedras que vão surgindo no caminho, o castelo vai ser majestoso e vai espelhar o trilho percorrido, as vicissitudes, as conquistas, a capacidade de mudança, enfim, a essência de ser professor! Estarei eu à altura? Espero que sim… no entanto, quanto mais aprendo, mais me apercebo do pouco que sei!
 E tantas são as “pedras” que são arrastadas por este Novo Programa de Português para o Ensino Básico. Múltiplas alterações implícitas; o apelo a uma capacidade grandiosa de nos adaptarmos às novas realidades educativas, sociais e conjunturais; complexas alterações que desafiam a nossa flexibilidade e maleabilidade.
Um mês volvido sobre o primeiro módulo, Novembro encerrava em si um misto de entusiasmo e de expectativa… Vários sentimentos tinham sido despertados no período que mediou os dois módulos, os pressupostos do programa começavam paulatinamente a intrometer-se nas minhas conversas e na minha prática, diversas opiniões começavam a ganhar consistência e as dúvidas avolumavam-se. O que esperar deste módulo?
 Esperava aprender; perceber melhor como iria operacionalizar as directrizes e os princípios orientadores veiculados pelo texto programático; entender como faria a ponte entre “o que fazer?” para o “como o fazer?”. Muitas pretensões para apenas dois dias de formação, bem sei…
 Vinte e seis de Novembro, nove da manhã, e a confrontação com a realidade: todos tínhamos dúvidas; todos queríamos mais e mais; todos sofríamos dos mesmos males e das mesmas alegrias. Como tal, as formadoras (talvez porque perceberam a nossa ansiedade) permitiram-nos uns momentos de partilha de experiências, de opiniões, de receios e anseios o que, a meu ver, em muito aligeirou o ambiente, dando o mote para uma formação mais activa, mais participada, mais consentânea com o paradigma reflexão-acção.
 Nesta sessão foi-nos permitido reflectir sobre algumas propostas de exploração didáctica das competências do Oral, do Conhecimento Explícito da Língua e da Escrita. Atendendo a todo o formalismo que deve ser considerado aquando do tratamento do oral, não poderíamos ter começado melhor. Foi-nos proposto delinear, em pequeno grupo, uma actividade de CEL decorrente da exploração da competência Compreensão do Oral. Todos os trabalhos tiveram por base a análise da lenda Tupi “Estrela de Água”, sendo que, a cada grupo, foi dada a liberdade de didactização e de selecção do descritor de desempenho a trabalhar. A metodologia revelou-se profícua no momento da apresentação dos trabalhos em plenário, uma vez que foram exploradas várias soluções, apresentadas várias sugestões de actividades, espelhando a pluralidade de abordagens subjacentes a um conteúdo, competência ou descritor. Reflectiu, igualmente, a realidade que pode ser o princípio da progressão e complexificação que tão preconizado é pelo NPPEB, uma vez que um mesmo suporte áudio, pôde ser trabalhado nos três ciclos, obedecendo a sua análise às capacidades já evidenciadas pelos alunos e aos resultados que se visam atingir com esta experiência de aprendizagem. Foi possível verificar que da defesa dos trabalhos, da definição do seus pontos fortes e também, sempre que se justificou, das suas fragilidades, reiterámos, reformulamos ou abandonamos opiniões que nos eram próprias e que pautavam a nossa prática. Compreendemos, a partir da nossa acção, que muitas vezes relegamos a compreensão do oral para segundo plano, que facilmente abandonamos a oralidade e nos voltamos para o suporte escrito e que, quando bem orientado, o aluno consegue desenvolver uma panóplia de exercícios decorrentes da audição.
Deste momento da sessão, retirei, igualmente, que no tratamento do CEL, é fundamental criar a necessidade de aprender, uma vez que esta competência deve assentar num conhecimento que os alunos possuem implícita e inconscientemente e que se pretende que se transforme gradualmente num conhecimento explícito, na medida em que o aluno deverá, progressivamente, ser capaz de explicitar regras e procedimentos da língua no âmbito da sua expressão oral e escrita. A necessidade de prever, na programação, o reinvestimento do CEL nas outras competências; a importância do trabalho oficinal e laboratorial com ênfase no trabalho pela descoberta, com planificação, observação e descrição de dados, incluindo a formulação de hipóteses e a testagem com novos dados, sem esquecer a sistematização e o treino, de modo a finalizar com a avaliação do processo e do produto foram também premissas cujo resultado prático me foi permitido testar. Não que estes sejam conceitos para mim desconhecidos, contudo, nem sempre a minha prática os traduz. Muito poderia dizer a meu favor: o tempo que este tipo de metodologia requer, a preguiça dos alunos que cada vez mais estão habituados a que pensemos por eles; o deficiente apetrechamento das salas de aula; a extensão dos programas; enfim… Mas talvez nenhuma delas reflicta, efectivamente, a verdadeira razão. Penso que a minha prática é, por vezes, condicionada pela necessidade de “mostrar trabalho”, de levar os alunos por um caminho que lhes permita a obtenção de melhores resultados nos momentos de avaliação externa, mesmo que, na maior parte das vezes, esse trabalho se postule como bastante redutor, na medida em que se trabalha os conhecimentos em prol das competências. Já experimentei actuar com base nos princípios e nos pressupostos que este novo programa vem agora consagrar. Os resultados foram animadores, os alunos demonstraram ser capazes de mobilizar as competências para situações de uso diário, contudo, os resultados apresentados nas PASEs ou Exames Nacionais nem sempre testemunharam essa mesma proficiência. Entretanto, tenho desenvolvido o meu trabalho atendendo a uma lógica de equilíbrio, em que ora são privilegiadas as competências ora são favorecidos os conteúdos. Encontro-me ainda, como é visível, num momento de definição de linhas de acção, de afirmação do meu método. Será que já deveria ter passado para outro patamar? Às vezes penso que sim, mas outras vezes ouço a voz da razão dizer que a resposta para as minhas dúvidas decorrerá da experimentação e da reflexão. Penso que sete anos de serviço ainda deixam margem para muitas hesitações e reformulações. Será que algum dia chegarei ao método certo? Será que existe? Se calhar procuro o impossível… talvez essa adequação dependa de cada contexto, da matéria-prima… Talvez nunca encontre o que procuro, no entanto, acredito que vou crescendo e aprendendo nessa busca.
Voltando agora à formação: a competência do Conhecimento Explícito da Língua aparece, agora, apoiada numa nova terminologia que muito me tem preocupado. Apercebo-me que tenho tanto para (re)aprender! Agradou-me, como tal, a exploração que foi feita de alguns conceitos que incorporam o Dicionário Terminológico e que, em muito, contribuiu para desmistificar a noção de “novidade” que está normalmente associada a este documento. A ver vamos!...
 A competência da Escrita teve, do mesmo modo, o seu tratamento assegurado neste módulo, reiterando-se o princípio de que o ensino da escrita tem de ser explícito, sistemático e supervisionado, sendo fulcral variar ao nível dos contextos, das tarefas a desenvolver, dos destinatários, das técnicas e das estratégias. Reforcei a minha consciencialização da importância das três fases da escrita como partes de um processo que conduz a um todo unificado. Tinha a ideia de que não precisava de trabalhar todas as etapas sempre que fazia um texto e trabalhava de acordo com esta convicção. Depois desta sessão, apercebi-me que é um erro tentar rever todas as falhas de um texto sob pena da atenção dos alunos se dispersar por múltiplas questões não apreendendo concretamente nenhuma delas. Experimentei, na semana que se seguiu ao 2º módulo, apresentar uma actividade de aperfeiçoamento de texto a uma das minhas turmas de sexto ano. Depois de lido o texto em questão, inquiri os alunos sobre os aspectos que poderiam ser melhorados, fazendo uma listagem; de seguida, tentamos, em grande grupo, perceber quais dos aspectos apontados poderiam contribuir, de forma mais efectiva, para uma revisão que melhorasse substancialmente o produto final. Seleccionámos o recurso excessivo à expressão “e depois” e a deficiente ou mesmo incorrecta utilização ou omissão da vírgula. A partir desta revisão foi-me possível abordar estes dois conteúdos, parecendo-me que os alunos apropriaram-se, pela acção, pela manipulação, das correcções feitas. Espantaram-se, referindo que o produto final ainda continha imperfeições, mas compreenderam que “Roma e Pavia não se fizeram num dia” e que com treino e afinco iriam aprender a escrever, escrevendo. Pareceu-me que esta metodologia foi revestida de maior significação e pertinência. A Escrita é, sem dúvida, um processo para o qual são requeridas várias competências, sendo assim uma das áreas estruturantes da Língua Portuguesa em que os alunos evidenciam maiores lacunas. Como tal, vamos ensiná-los a falar, vamos apresentar-lhes a Língua e depois, talvez seja mais fácil e gratificante vê-los escrever.
 Balanço final: alguns progressos, ainda muito para aprender, uma vida para o fazer!

Trabalho realizado por Sandra Patrícia Pereira  15/Dezembro/2009


sábado, 2 de janeiro de 2010

Balanço da participação nos fóruns - Novembro e Dezembro

A minha participação nos fóruns tem ficado aquém do desejado essencialmente por falta de disponibilidade da minha parte, no entanto, conto participar com maior regularidade de forma a corresponder aos objectivos traçados. Não deixei, contudo, de dar a minha contribuição, cooperando em sete dos temas lançados pelos colegas, a saber: “A explorar a oralidade; TIC e avaliação de competências; As dificuldades dos alunos na produção de textos; Autores Açorianos / Obras que versem temas açorianos e Partilha de material”. Mais acrescento que este último foi sugerido por mim na tentativa de manter o espírito de inter-ajuda anteriormente revelado pelos formandos. Foi do meu agrado verificar que muitas têm sido as entradas neste espaço, sendo a plataforma um espaço de partilhas de ideias, experiências, convicções e, também, materiais. Só assim a prática docente faz sentido, só através da partilha conseguiremos dar resposta à pluralidade de exigências que pautam o papel do professor de Português nos novos programas.
Embora, a minha participação se tenha cingido ao supracitado, devo mencionar que tenho lido todas as intervenções e reflectido a propósito das mesmas. Sei, contudo, que se espera uma atitude mais participativa da minha parte, ao que tentarei corresponder.

Trabalho realizado por Sandra Patrícia Pereira  18/Janeiro/2010

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Trabalho de grupo sobre planificação do texto argumentativo

Aqui apresento o trabalho de grupo sobre a planificação de um texto argumentativo. Mais acrescento que o mesmo foi elaborado no âmbito do 2º módulo de formação. Clique AQUI para consultar.

Trabalho realizado em 27/Novembro/2009

Lenda "Estrela de água"

No 2º módulo de formação foi sugerido que os formandos analisassem a lenda "Estrela de água", tentando desenvolver algum conteúdo CEL. AQUI apresento o trabalho desenvolvido pelo meu grupo.

Trabalho realizado em 26/Novembro/2009

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Reflexão sobre o 1º módulo de formação

"A finalidade da aprendizagem é o crescimento, e as nossas mentes, ao contrário dos nossos corpos, podem continuar a crescer enquanto nós continuarmos a viver."
Mortimer Adler

 Foi com base nesta ideia que aceitei o desafio de alargar os meus conhecimentos num referencial tão importante para a minha missão enquanto professora – o “novo” programa de Português para o ensino básico. Coloquei o novo entre aspas porque nos foi dado a conhecer e permitido comprovar, que este documento se postula não como um momento de ruptura face às práticas anteriores, mas como um texto de continuidade, tentando fazer o ajuste entre os níveis de desempenho, os resultados esperados e os múltiplos recursos, consagrando os diferentes contextos de aprendizagem e as novas exigências da sociedade actual.
 O nervosismo que antecedeu o primeiro módulo de formação foi grande até porque já tinha tentado antecipar o que poderia vir a acontecer. Sempre que pensava no assunto duas ideias me surgiam: iniciativa de louvar, uma vez que os professores foram consultados aquando do aparecimento da primeira proposta e agora vão receber formação e orientação para que os objectivos preconizados no documento sejam do conhecimento de todos; uma “seca”, visto que estava à espera de me deparar com um texto utópico incapaz de se operacionalizar. Os meus receios dissiparam-se quando, após a fundamentação, contextualização e todo o trabalho apresentado, me deparei com a pertinência, premência e urgência de tal reformulação e, consequente formação. Claro que não posso considerar que seja um programa perfeito, contudo, nunca o poderia ser, uma vez que trabalhamos com indivíduos e estamos condicionados por factores sociais, culturais, regionais, motivacionais, espaciais e temporais. Parece-me, no entanto, que houve um trabalho criterioso no que se refere à fundamentação e contextualização do documento que não apenas auscultou os intervenientes no processo educativo como considerou, como referenciais, os estudos feitos “dentro e fora de portas” e os restantes normativos que regulavam o ensino da disciplina de Língua Portuguesa. Houve boa vontade e interesse em que todas as escolas se pautassem pelos mesmos princípios e directrizes, na tentativa de colmatar algumas assimetrias visíveis até então.
 Perceber o programa como um todo interligado em que a aprendizagem se consagra como um movimento apoiado em conhecimentos e competências anteriores, proporcionando experiências significativas que permitam preparar o estádio ou patamar de complexificação seguinte foi, igualmente, muito gratificante. A metodologia utilizada pelos formadores, permitiu que eu vivenciasse as vantagens de uma abordagem conjunta em que o trabalho colaborativo entre ciclos é uma realidade, uma constante e não apenas uma intenção. Gostaria de referir que a proposta de análise do programa, tendo em atenção os guiões fornecidos, foi bastante interessante, uma vez que “obrigou” a que houvesse uma leitura dos aspectos fulcrais e basilares do texto programático. Independentemente do valor da actividade que nos foi proposta e sobre o qual já discorri, parece-me importante referir que considero que deveria ter havido um maior cuidado dos formadores em transmitir de forma mais clara como seria dinamizada a apresentação dos trabalhos. Aquando das instruções dadas percebi que cada grupo iria definir a sua linha de execução e divulgação. Assim, cada grupo elaborou os seus materiais e traçou a sua metodologia e, chegado o momento de partilhar conclusões, não nos foi possível levar a cabo o plano delineado, uma vez que se optou por um modelo de apresentação em que cada questão era esmiuçada por cada grupo até passar à seguinte. Parece-me que algum trabalho dos formandos não foi considerado ou até conhecido. Concordo que seria enfadonho que todos os grupos apresentassem isoladamente as respostas aos mesmos guiões, contudo, penso que uma boa estratégia (se mo permitem) seria apresentar um guião diferente para cada ciclo a cada grupo. Deste modo, poderíamos aceder a um conjunto mais vasto de informações e conclusões. A discussão em plenário poderia ser, da mesma forma, impulsionada e não me parece que tivesse sido menos oportuna.
Não obstante do supracitado, acredito que muito aprendemos com as conclusões de todos e de cada um. Pareceu-me harmoniosa a forma como nos fomos deparando com os novos desafios, com a reiteração de princípios que já eram parte integrante das nossas práticas, mas que passarão a ser vivenciados num clima de maior autonomia e flexibilização, num contexto em que o professor é tido como verdadeiro agente do desenvolvimento curricular. Que maravilha é ver enaltecido o nosso papel, num de momento de constantes ataques a uma profissão que já foi digna de respeito (“Se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro”. D. Pedro II), mas que hoje tenta ver a sua idoneidade sobreviver a uma panóplia de difamações que em nada respeita a ética e profissionalismo com que tentamos pautar o nosso trabalho.
 Durante a sessão muito nos foi repetido que o programa valorizava a normatividade da língua portuguesa, o literário como factor de identidade pessoal, cultural e patrimonial e a transversalidade da língua que, sendo idioma de escolarização, está intimamente relacionada com os níveis de proficiência evidenciados nas outras áreas de saber. Daí o intuito de orientar e apoiar o aluno num processo em que o saber se alarga, especializa, complexifica e sistematiza. Foi interessante escutar as práticas dos meus parceiros que cada vez mais se voltam para as competências, para o saber fazer, o saber ser, o saber aprender. Consolidei a ideia de que o professor capaz de despertar a curiosidade, o espírito crítico, reflexivo, argumentativo e participativo dos alunos em muito contribuirá para a formação de indivíduos capazes de mobilizar conhecimentos. Na partilha com os de mais reconheci angústias, fragilidades, condicionalismos (até mesmo no que se reporta à ilha em que cada um lecciona) e percebi que, mesmo não fazendo milagres, e com os meios que nos são dados, temos que querer sempre mais e ter força para perceber, mesmo nas adversidades, que se falharmos estaremos a “roubar” ao aluno a oportunidade de conhecer outra realidade, de ampliar o seu horizonte, de aceder ao metaconhecimento, que é a ferramenta principal para a evolução da humanidade.
 Humanidade – Prémio Nobel: parece-me chegada a hora de falar de Saramago! (“…em rigor, a escola, que tão mal ensina a escrever, não ensina, de todo, a falar.” José Saramago) É verdade, confesso que a formadora Serafina queria espicaçar-nos, fazer-nos reflectir e porque não pôr em causa as nossas práticas e, para mim, nada melhor do que esta “provocação”. E lá fui eu confrontada com as minhas fragilidades no que respeita ao trabalho efectivo da oralidade na sala de aula, não apenas num clima de espontaneidade, mas de competência que deve ser trabalhada, experimentada, praticada e avaliada como um domínio rigorosamente programado por conteúdos. É verdade que o anterior programa já colocava esta competência ao nível das restantes, contudo, faço parte dos docentes que no estudo apresentado pela Drª Arminda, confessaram não se sentir tão à vontade a trabalhá-la. A verdade é que sempre lhe reconheci valor, mas na prática sempre ficou um pouco para trás. Como dizia uma colega no fórum “ o objectivo é termos alunos cada vez mais bem-falantes, activos, críticos e autónomos, independentemente da herança sócio-cultural que cada um trouxer. Penso que a minha lacuna não se situará tanto ao nível do tratamento da Oralidade como domínio, mas sim a frequência com que o faço e a pouca diversidade nos instrumentos de avaliação que utilizo. Dou por mim sem saber muito bem como avaliar, especialmente, a expressão oral. Em departamento curricular temos discutido o assunto, mas a conclusão é sempre a mesma: precisamos de orientação, de formação. Todos os anos, sempre que nos é solicitado superiormente a sugestão de temas para formação contínua, colocamos lá a tão desejada formação, mas nunca nos foi concedida. Penso que agora, com o dinamismo dos fóruns, com a partilha de experiências pedagógicas e de alguns materiais e conhecimentos, algumas imperfeições podem ser atenuadas. Para tal, conto também com os formadores e suas sugestões e boas práticas. Foi já uma mais-valia termos sido colocados perante a necessidade de imaginar ou recordar uma actividade de expressão oral bem sucedida em sala de aula. Tanta coisa que aprendi… Nem tudo capaz de ser usado com os meus alunos, mas tudo passível de ser adaptado para eles. Reconheci grande pertinência a alguma das sugestões apresentadas, no entanto, confesso que uma se demarcou pela sua abrangência. Não sei o nome da actividade, mas lembro-me que se referia a um ataque biológico ao qual apenas alguns (número de elementos que compõem a turma) sobreviveram. Os alunos, aos quais era entregue uma profissão, viam-se perante a necessidade de argumentar, emitir opiniões, reformular pontos de vista para conseguirem o “passe” para entrar num bunker. Já experimentei com uma das minhas turmas e funcionou lindamente, reaprendi como se pode ser criativo no momento de lutar pela sobrevivência e quão motivador pode ser para uma criança “convencer” os restantes dos seus considerandos. Trabalhamos, rimos, brincámos e a aula acabou assim: professora, quando voltamos a ter outro ataque? É verdade que muitos condicionalismos estão na base da dificuldade de colocar os alunos a falar na sala de aula, mas, quando motivados os alunos são capazes de surpreender e mesmo o mais tímido se pode revelar. “Relembrei-me” de como o professor tem um papel fulcral em criar situações significativas, em contextos perfeitamente identificados e com recursos e abordagens variadas que levem o aluno a atingir os resultados esperados. No que me diz respeito, comprometo-me a não voltar as costas à oralidade… espero que tudo e todos me ajudem. Como referi, este momento da formação trouxe-me muito de novo, no entanto, foi também um momento que me causou algum constrangimento. Aquando das instruções dadas para a execução da tarefa, o meu grupo questionou as formadoras no sentido de averiguar se deveríamos apresentar apenas uma actividade bem sucedida ou uma por ciclo. Foi-nos dito que seria interessante uma por ciclo. Começamos a trabalhar e, como de costume, todos reflectimos sobre cada ciclo. Conclusão, não tivemos tempo para realizar todas as tarefas que nos foram propostas. Não conseguimos analisar um dos exercícios de compreensão oral. Aquando da apresentação das actividades, verificamos que afinal apenas era necessário apresentar uma por grupo. Não foi trabalho em vão porque aprendemos e trocamos experiências, no entanto, não nos permitiu participar na discussão sobre a outra tarefa, uma vez que não a tínhamos abordado enquanto grupo. Pequenos reparos, eu sei, mas no geral, penso que a actividade dos formadores foi exímia, clara e eficaz.
 Relativamente aos exercícios de compreensão oral que nos foram apresentados para analisar e tecer considerações durante a formação, considero que foram pertinentes uma vez que nos permitiram reafirmar que os manuais não são lei, mas apenas um auxiliar de trabalho que pode conter incorrecções científicas e metodológicas. Percebemos que algo que à partida parecia ter alguns aspectos positivos, no final, se verificou uma armadilha pedagógica em que o aluno nada aprendia. Apercebemo-nos da necessidade de uma programação rigorosa de actividades nesta competência sob pena de “perdermos” o nosso tempo e o dos alunos. Observar, partilhar, reflectir, criticar, mobilizar, modificar, integrar são para mim as conclusões mais evidentes deste momento da formação.
 Grande satisfação tive também, quando percebi que paulatinamente o trabalho oficinal vai conquistando o seu espaço na dinâmica de sala de aula. A este respeito posso apresentar uma experiência de inovação pedagógica que a minha escola está a promover e que tive o prazer de ajudar a fundamentar, contextualizar e implementar (em parceria com outros colegas). Pelo terceiro ano consecutivo estamos a desenvolver outra área curricular não disciplinar: Oficinas da Leitura e Escrita, leccionada por dois professores de português. Nesta aula não são trabalhados, mas sim invocados conteúdos de Língua Portuguesa, uma vez que tentamos que os alunos não conotem a leitura e a escrita como conteúdos dessa disciplina, mas sim com um momento de prazer em que a criatividade, a autonomia e a espontaneidade caminham de mãos dadas. É uma espécie de cantinho da leitura e oficina da escrita, mas numa aula. Resultados? Parece-me que alguns são visíveis: alunos pedem para ler sempre que terminam as tarefas mais cedo nas outras áreas; constatou-se um crescendo significativo na venda de livros na Feira do Livro – Folhas Soltas que dinamizamos anualmente; quando se pede para que os alunos escrevam, parece que a folha em branco os assusta cada vez menos. É também verdade que estes resultados, a par de outros, são mais visíveis quando os alunos chegam ao terceiro ciclo, uma vez que apenas começam com esta disciplina no 5º ano. Claro que os frutos não são imediatos, mas com o tempo eles têm surgido. O facto de aliarmos esta área às TIC, sendo que está maioritariamente apoiada pela plataforma moodle, permitindo trabalhar no computador, em cadeia e praticamente em simultâneo é um dos “segredos” do sucesso. Todos gostam? Não! Contudo a maioria adere facilmente a este desafios virtuais. Como referi, há sempre alguém que continua a não gostar de ler ou escrever, mas a todos é dada a oportunidade de desenvolver essas competências em contextos perfeitamente variados e de aceder a um corpus textual diversificado, multimodal, representativo. Depois de ler o programa, de ouvir os formadores e de partilhar ideias com os meus co-formandos, considero que temos falhado ao nível da variedade de tipologias textuais. Levarei a departamento os conhecimentos que obtive e tentaremos, com certeza, fazer melhor. Não é tão bom? Temos um bónus na carga horária onde nos é possível brincar a aprender sem o receio de não termos tempo para cumprir o programa.
Muitas virtualidades me pareceu apresentar este programa desde que devidamente operacionalizado, contudo, desabafo aqui alguns dos meus receios: tendo em conta que o programa assenta na progressão e continuum, apoiado nas aprendizagens anteriores, mesmo sabendo que não se trata de um documento de ruptura, não será ousado aplicá-lo aos quinto e sétimo anos? Esses alunos estarão preparados para cumprir um programa e uma abordagem de trabalho que não foi preparada e alicerçada? Não seria melhor começar pelo primeiro ano? Levaria mais anos, mas seria, penso eu, mais proveitoso. Os novos manuais escolares estarão atentos ao nosso espírito programático? Aparecerão organizados por ciclo? Cairão na tentação de apresentar propostas de anualização quando a mesma deve atender à especificidade dos alunos com os quais trabalhamos? Poderá a constituição das turmas ser um entrave a uma implementação efectiva do novo programa? Como poderemos gerir um ensino oficinal, um trabalho efectivo e reflexivo sobre a oralidade, entre outros, numa turma de vinte e cinco alunos? Qual será a receptividade do departamento curricular à mudança, à actualização das práticas, a esta nova experiência? Será a política educativa capaz de investir na educação de modo a viabilizar a efectiva introdução das TIC ao serviço do ensino do português? A ver vamos…

Trabalho realizado por Sandra Patrícia Pereira   15/Novembro/2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Balanço da participação nos fóruns - Outubro

Apesar dos receios iniciais, encarei esta nova abordagem de formação de forma séria, entendo-a como um desafio capaz de trazer vantagens para o meu desenvolvimento profissional.
Considero que a minha participação nos fóruns foi regular, embora não tivesse participado em todos os temas que considerei pertinentes. Nem sempre o tempo me deu tréguas no sentido de me deixar reflectir sobre aspectos que nem sempre vêm à discussão, mas que quando aparecem nos tocam a todos. Tentei, no entanto, dar o meu contributo e intervir de forma adequada, visando articular as minhas ideias com os temas propostos e com os princípios e pressupostos patentes no programa. Assim, participei sete vezes nos temas propostos, sendo que uma delas deu lugar à abertura do tema “Programa – Oralidade – Exames”. Cooperei com os seguintes temas: Potencialidades do NPPEB; Novos manuais de Português (duas reflexões); Dúvidas (duas intervenções); Reflectindo acerca do tempo.
Parece-me importante salientar o espírito de inter-ajuda manifestado pelos participantes, sendo que também eu tentei dar a minha contribuição sempre que podia e sabia.

Trabalho realizado por Sandra Patrícia Pereira  02/Novembro/2009

Testes resolvidos

 O primeiro módulo de formação havia terminado e a excitação com as novas ideias e o, consequente, receio de não estar à altura começaram a criar um grande turbilhão na minha mente. Gerou-se uma confusão na minha cabeça que se acentuava à medida que se aproximava o momento de realizar o teste formonline. Sabia que não era mais do que uma estratégia para nos “obrigar” a ler, analisar e compreender de forma mais efectiva os aspectos fundamentais que tinham estado na base da elaboração do NPP, assim como os seus princípios estruturantes. A minha apreensão aumentava à medida que o tempo passava… A leitura do programa fluía, no entanto, a informação era bastante e parecia que me fugia por entre os dedos. O meu brio e o medo de errar estavam a fazer com que um pequeno exercício parecesse um “bicho-de-sete-cabeças”, no entanto, decidi que, depois de lido o programa e feitas as respectivas notas, havia chegado o momento de resolver o teste. Correu bem, mas deu-me que pensar… Tive mais dificuldades nas questões de verdadeiro e falso uma vez que nem sempre concordei que a resposta fosse taxativa. Não recorri a nenhum "truque", embora não recrimine quem o faça, no entanto, penso que o objectivo não é apenas ter 100%, mas sim reflectir e ponderar as nossas respostas e estar atento e não querer despachar (tenho por hábito ser "despachada", no entanto não me coíbo de chamar a atenção dos meus pupilos quando eles fazem o mesmo). Prova superada!

1ª tentativa: 88%
2ªtentativa:100%

Trabalho realizado por Sandra Patrícia Pereira  10/Novembro/2009

A oralidade nos Programas de Português

1) Imagine ou recorde uma actividade de expressão oral bem sucedida em sala de aula que tenha organizado enquanto professor (ou participado enquanto aluno).

Faça uma lista com as características dessa actividade que o(a) levam a considerá-la “bem sucedida”.

2) Quais são os problemas em conseguir que os alunos falem na sala de aula? Pense na sua experiência enquanto professor (e aluno) e faça uma lista com as principais dificuldades com que tem lidado.

Clique aqui para aceder às conclusões do meu grupo de trabalho.

Trabalho realizado por Sandra Pereira, Noélia Machado, Cristina Silva, Lurdes Bessa, Rui Baptista, Susana Silveira  
16/Outubro/2009 

Organização do Programa para o 1º, 2º e 3º ciclos

No decorrer do primeiro módulo de formação  foi-nos proposta a tarefa de analisar o Programa de Português com o objectivo de fazermos um estudo da organização programática para os três ciclos em questão. Clique aqui para aceder às conclusões do meu grupo de trabalho.


Depois de reflectir e de ter um conhecimento mais profundo do programa, decidi fazer uns ligeiros ajustes neste trabalho. Clique AQUI para consultar.

Oralidade e avaliação externa

 Quando me falaram em formação para a implementação dos novos Programas de Português pensei duas coisas: iniciativa de louvar, uma vez que os professores foram consultados aquando do aparecimento da primeira proposta e agora vão receber formação e orientação para que os objectivos preconizados no documento sejam do conhecimento de todos; uma “seca”, visto que estava à espera de me deparar com um texto utópico incapaz de se operacionalizar. Espanto o meu quando na formação, depois da fundamentação, contextualização e todo o trabalho apresentado, me deparei com a pertinência, premência e urgência de tal reformulação. Verifiquei que, tratando-se de um programa de continuidade, não estabelecia uma ruptura com o anterior, postulando-se como um “aperfeiçoador” do que estava para trás, do que se fazia bem e do que se fazia mal ou ainda não se fazia. Como já vários colegas referiram, apercebi-me da importância que é atribuída à competência da oralidade que se deseja trabalhada em articulação com as restantes, mas que também se pretende afirmar como um domínio com conteúdos bem definidos e delineados. Mais satisfeita fiquei, por ver reconhecido que as capacidades de compreensão e expressão oral são consideradas essenciais para a formação dos alunos enquanto cidadãos interventivos e reflexivos. Agora questiono-me: sendo a oralidade essencial à formação do indivíduo, se a distribuição do peso pelas diversas competências deve ser equilibrado (sabendo que a escrita trabalha procedimentos mais complexos e difíceis de sistematizar), como se explica que os exames nacionais não a considerem? Será que este facto não justifica, em parte, a discrepância entre os resultados internos e externos? Sendo que estes elementos de avaliação têm uma influência considerável no prosseguimento de estudos, como se justifica que uma das competências não seja contemplada? Será que a dificuldade em avaliar a oralidade é apenas uma lacuna dos professores do básico ou atormenta-nos a todos? Se deve ser trabalhada integrada, mas também por si só, não deveria ser mais valorizada nestes momentos? Não será “deixada para trás” em prol de outras que efectivamente serão formalmente avaliadas?

Dificuldades na produção de textos

Tenho estado atenta ao que se tem escrito sobre a aptidão e motivação que os nossos alunos demonstram pela produção de textos e não posso deixar de concordar com o que foi referido, uma vez que também já me deparei com o quanto pode ser assustador para os nossos alunos verem-se confrontados com uma folha em branco. É isso mesmo… a folha em branco! É muitas vezes a dificuldade para começar, para organizar o seu trabalho, até porque sentem a escrita como um momento de avaliação mais formal. Existe a ideia, embora cada vez mais esbatida, que sempre que se lhes pede para escrever é para os avaliarmos. Assumem que a escrita é apenas a maneira mais formal de mostrarem aquilo que sabem, que dominam. Associam poucas vezes a escrita a um prazer, a um modo de expressão, de autoconhecimento, de comunicação.
Vejo os alunos sem interesse pela escrita. Por vezes até gostam de escrever, mas têm noção que não dominam a técnica e, por isso, inibem-se. Deparo-me várias vezes com a seguinte situação: apresento um tema para um texto (as férias, por exemplo); eles até têm muitas ideias e muito para dizer porque fizeram uma viagem e conheceram muitas coisas novas sobre as quais gostariam de escrever. Como sabem que dão muitos erros ortográficos e que isso vai ser avaliado, escrevem qualquer coisa mais simples, que inventam no momento. Mesmo que não sejam formalmente avaliados, não gostam de mostrar as suas fragilidades, de ser confrontados com o erro.
Às vezes é difícil perceber porque é que os alunos cometem erros da mais variada natureza na produção escrita que não cometem nas outras actividades (escrevem um texto com erros ortográficos, não apresentando os mesmos erros nos ditados; enunciam mal o discurso directo, fazendo-o correctamente em exercícios específicos; não aplicam bem as regras da pontuação, sabendo fazê-lo quando a tarefa é apenas pontuar um texto, etc.). Parece-me evidente que há uma dificuldade em mobilizar conhecimentos e competências, tudo parece compartimentado. O facto da escrita requerer a organização em vários níveis e a atenção a múltiplos factores, faz com que sejam alguns aspectos descurados. É a ideia do que ou se escreve ou se coloca a pontuação correcta, ou se escreve ou se atenta aos erros ortográficos ou se escrever ou se evita os erros de estruturação e coesão. Não existe nos nossos alunos uma cultura de planificação, de revisão. Escrevem e está feito, está arrumado. Acredito que os nossos alunos têm dificuldade em escrever, como tal, temos que praticar, praticar, praticar, apenas assim poderemos minorar o embaraço dos alunos perante a escrita. Como está consagrado no novo programa, devemos “permitir múltiplas oportunidades para compreender, produzir, treinar, mobilizar e reinvestir conhecimentos”.
Muito tem sido feito para mudar mentalidades e a afirmação da escrita criativa e lúdica constituiu, a meu ver, um dos pontos de viragem. Atender aos gostos dos alunos, brincar e rir a escrever são elementos essenciais para sermos bem sucedidos. A diversidade de estratégias, a multiplicidade de formatos e a variedade de tipologias trabalhados podem constituir igualmente uma mais-valia no momento de despertar os nossos alunos para a escrita. Parece-me fundamental, também, que a escrita funcional seja trabalhada. Quantas vezes podemos escrever e desenvolver competências sem que os alunos se apercebam que o estão a fazer… Podemos sempre começar do menos formal para o mais formal, complexificando quer em termos de conteúdo, quer em termos formais. Os avisos, mapas de tarefas, programas, regulamentos, entre outros, podem e devem fazer parte dos textos a desenvolver. Trabalham a competência, desempenham uma função, estão dotados de significação e permitem a divulgação dos escritos. Workshops de escrita para alunos, professores e pais também é uma sugestão muito interessante. Já participei em alguns dinamizados pelo Centro de Artes e Ciências do Mar das Lajes do Pico e as crianças gostam e divertem-se com a escrita, por sua vez, professores e pais aprendem novas abordagens e novos conceitos para trabalhar ou consolidar esta competência.
Com certeza todos sabemos de muito que poderíamos fazer e levar para as nossas aulas para motivar os alunos, no entanto, nem sempre a limitação temporal e espacial nos possibilita trabalhar como gostaríamos. Acredito, contudo, que, sendo o ensino da língua reconhecido como domínio capital para o processo educativo, a escola pode também ter uma palavra a dizer. E a minha disse!
Este é o terceiro ano em que levamos a cabo uma experiência de inovação pedagógica que muito nos tem ajudado com a relutância que os alunos evidenciam para ler e escrever. Integramos no currículo uma nova área curricular não disciplinar: Oficinas da leitura e escrita. Assim, continuamos a trabalhar essas competências na aula de Língua Portuguesa, articulando, sem que os alunos se apercebam com as OLEs (como gostamos de chamar). O facto de terem um espaço “neutro” para ler e escrever fez com que eles encarassem a escrita e a leitura de outra forma, sendo visíveis resultados nas restantes disciplinas. Nas OLE não trabalhamos explicitamente conteúdos de português, eles são trabalhados e consolidados, mas de forma “camuflada”. Os alunos sabem que aquela aula é para comunicar, podem ser levados a falar, escrever ou ler. Esta experiência está associada a uma disciplina na plataforma moodle, a que os alunos recorrem para saber o que vão fazer, para realizar algumas tarefas, para divulgar os seus trabalhos e para comentarem e corrigirem os trabalhos dos colegas. O recurso às TIC, tem sido uma mais-valia, uma vez que os alunos associam a leitura e a escrita a algo que lhes interessa, que lhes dá prazer… ao computador. O desenvolvimento da autonomia é também tido em consideração e, como tal, trabalhamos bastante em projectos. No início da aula, os alunos abrem a disciplina na plataforma, consultam o calendário e tomam conhecimento do que têm que fazer. Muitas das vezes são apresentadas várias actividades que o aluno tem que mostrar realizadas no final do mês. É dada ao aluno a possibilidade de organizar e gerir o seu trabalho, de escolher as actividades que vai realizar e quando o fará, desde que no dia previsto tudo esteja pronto. Os professores (trabalhamos em par pedagógico: um de Língua Portuguesa e o outro de uma Língua Estrangeira) podem monitorizar o que está a ser feito por cada um, consultando os fóruns ou as outras ferramentas a que os alunos recorrem. Quando nos sobra um bocadinho de tempo, propomos a visita a alguns site que apresentamos na plataforma. Sites de exercícios de correcção automática. Como estão a jogar nem se lembram que são conteúdos de Língua Portuguesa!
Esta aula é um espaço para o aluno, do aluno e com o aluno. A máxima subjacente é: o professor só faz o que o aluno não consegue. Sou professora do 2º ciclo (as OLE começam no 5º ano) e, por isso, vejo mais mudanças ao nível das atitudes do que dos conhecimentos (embora também sejam visíveis), mas os colegas do 3º ciclo são da opinião de que as OLEs possibilitam grandes progressos. Sei que os alunos estão mais motivados para ler (quando acabam as tarefas mais cedo nas outras disciplinas, pedem para ler o livro que estão a ler nas OLE, quem diria… tirar a leitura da aula de português faz milagres…) e a folha em branco já não os assusta. Se escrevem melhor? Vão melhorando paulatinamente. Se gostam mais de escrever? Sem dúvida. Assim, com os alunos motivados, é mais fácil trabalhar em Língua Portuguesa. Já não temos a barreira da motivação, focámo-nos em aspectos estruturais, na diversidade, na divulgação, etc. Corre melhor, claro! Mas não é perfeito… Um processo tão complexo como a escrita teria sempre que nos causar algumas “dores de cabeça” e tantas que são às vezes!


TIC e avaliação de competências

Num momento em que a sociedade apela a uma postura reflexiva, flexível e ajustável, impõe-se uma atitude crítica face ao papel das novas tecnologias da educação nas aulas e, particularmente, no ensino do português. Assim, e atendendo aos princípios de competência, de saber-fazer, de saber-ser, considero que cada recurso tem o seu espaço e o seu momento desde que se adopte uma atitude criteriosa na sua selecção. O enfoque que se dá às novas tecnologias parece-me pertinente quando a motivação, diversidade, diferenciação e mobilização estão na base das práticas educativas. A aproximação à realidade dos alunos, a capacidade de adaptar as práticas ao panorama actual, a possibilidade de dotar os conteúdos de significação e de trabalhar o português como o domínio capital do processo educativo são motivos irrefutáveis para levar o progresso para a sala. Esta visão está patente nos novos programas que consagram a acção em detrimento da recepção.
Parece-me que colocar os alunos a elaborar os materiais pode ser muito gratificante para eles, desenvolvendo-lhes simultaneamente a autonomia, o espírito de iniciativa e a capacidade para se envolverem efectivamente na aprendizagem.

Trabalho realizado por Sandra Patrícia Pereira   01/Dezembro/2009

Potencialidades do Programa de Português para o Ensino Básico

Após o primeiro módulo de formação apraz-me concluir que o novo programa apresenta algumas potencialidades que poderão ser essenciais para o sucesso dos nossos alunos e para a nossa realização enquanto formadores de cidadãos reflexivos, participativos e esclarecidos, a saber:- Junção de todos os normativos legais num só documento, facilitando a leitura e permitindo uma articulação efectiva entre os mesmos;
- Programa pautado pelos princípios da progressão (entre ciclos e dentro do mesmo ciclo), articulação, continuum e transversalidade;
- Aprendizagens apoiadas num movimento ascendente: cada patamar deve consolidar competências anteriores e preparar o aluno para um momento de complexificação das abordagens;
- Programa de continuidade e não de ruptura, recuperando aspectos que já estavam consagrados no anterior programa, tentando fazer um ajuste entre os níveis de desempenho e resultados esperados e os recursos múltiplos, os diferentes contextos e as novas exigências da sociedade actual;
- Percepção do professor como facilitador de contextos de aprendizagem significativos, gestor de recursos variados e agente do desenvolvimento curricular e não apenas como um mero transmissor de conteúdos;
- Possibilidade de flexibilização atendendo aos Projectos Curriculares de Escola e Turma;
- Documento unificador dos três ciclos do básico, promovendo, como a colega referiu, um maior investimento do trabalho colaborativo entre os professores dos vários ciclos e uma percepção global das orientações para o Ensino Básico;
- Promoção da normatividade da Língua Portuguesa;
- Valorização da Língua Portuguesa como língua de escolarização e como disciplina curricular, prevendo a necessidade de se mobilizarem conhecimentos e competências para as restantes áreas do saber;
- Valorização e promoção do metaconhecimento;
- Promoção do trabalho integrado das competências específicas, não dispensando, no entanto, a atribuição de tempo específico para trabalhar cada uma;
- Consciencialização da complexidade dos processos subjacentes à escrita, possibilitando um "maior" investimento nesta competência específica;
- Confirmação da compreensão e expressão oral como competência com conteúdos programáticos específicos, incentivando-se uma maior formalização no seu desenvolvimento;
- Reconhecimento do valor do trabalho oficinal;
- Flexibilidade do corpus textual, apontando cinco critérios objectivos para a selecção de obras, mas deixando autonomia ao professor para fazer a mesma selecção considerando o contexto, os recursos e as características, ritmos de trabalho e nível de proficiência apresentados pelos alunos. A articulação com o Plano Nacional de Leitura e, futuramente, com o Plano Regional de Leitura é também uma mais-valia, uma vez que elenca um conjunto de obras de valor reconhecido;
- Promoção do trabalho com textos multimodais e de diferentes tipologias e finalidades;
- Valorização do literário enquanto pilar da construção da identidade cultural do aluno e de conhecimento do vastíssimo património cultural que nos foi legado;
- Instrumento capaz de reunirprofissionais dos três ciclos em prol da progressão, do contínuum, do saber-ser, saber-estar, saber-fazer.

Trabalho realizado por Sandra Patrícia Pereira  12/Novembro/2009 

"Blogar" ou não "blogar", eis a questão!

Este blogue, sendo a “cara” do meu percurso enquanto formanda e educadora, é, mormente, o recurso escolhido para manter viva e dinâmica a construção dos meus saberes; o desabrochar de ideias e a partilha de tristezas e alegrias. Reflectindo, anseio analisar criticamente as minhas práticas, questionar as minhas certezas, abalar as minhas crenças, espicaçar a minha curiosidade e o meu brio, reconhecer o que é bom, rejeitar o que é mau, crescer. Atendendo à muitifuncionalidade do blogue, acredito que blogando, serei capaz de me conhecer melhor, de ir mais além. Numa era em que o céu deixou de ser o limite, considero que partilhar com o mundo as minhas ideias, o meu trabalho, as minhas convicções e receios me engrandece, me ajuda a ser mais e melhor. Que a audácia me conduza!

 Trabalho realizado por Sandra Patrícia Pereira  25/Outubro/2009